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quinta-feira, 17 de março de 2011

Eu quis ser mais... (Parafraseando)

Eu quis ser mais poderoso e descobri que "Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus"

Eu quis ser mais duro e descobri que "Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados"

Eu quis ser mais revolto e descobri que "Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra"

Eu quis ser mais digno de justiça e descobri que "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos."

Eu quis ser mais intolerante e descobri que "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia"

Eu quis ser mais hedonista e descobri que "Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus"

Eu quis ser mais condenador, julgador, religioso e descobri que "Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus"

Eu quis ser mais invulnerável, mais próspero, mais intocável, mais "ungido do Senhor"! E... descobri que "Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós"

Parei. Pensei. E percebi que minha busca em ser mais, era na realidade o desejo de ser mais do que os outros. Foi aí que aprendi que "quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva;"

Quando quis ser mais, descobri que deveria ser menos. Por que quiz ser mais?

Paráfrase dos ensinos de Jesus em: Mt. 5.3-12 e Mc. 10.43.

Notas:
(Agradecimentos ao irmão Lú Damasceno que - sem saber - contribuiu com a idéia do título)

terça-feira, 15 de março de 2011

A companhia de Deus

"Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam." (Salmo 23.4).

Não há quem goste de se sentir sozinho. Isso é evidente nos dias de hoje quando a energia é a maior fonte de companheirismo que se têm. Mentira? Não, acredito que não. Quando não se têm energia não se tem a "amiga" televisão, o "amigo" computador, ou qualquer outro tipo de amigo que dependa de energia elétrica. Não é nova a idéia que psicólogos e sociólogos nos apresentam de que as famílias não conseguem mais se comunicar, é cada um na sua rede social favorita, enclausurado na sua tecnologia favorita.

Não é somente pela energia que chegamos a compreensão de que o homem não consegue viver sozinho. Filósofos clássicos como Aristóteles apresentam o homem como um ser social. Antropólogos trabalham a idéia do homem como um ser relacional o qual depende de viver de relações com um outro/outros.

Todavia, a Bíblia nos ajuda a estender essa visão da necessidade social-natural do homem, apresentando-nos um homem que também está necessitado de uma relação social-espiritual. Uma necessidade de alcançar algo que sente existir e que ainda assim (alguns é claro) insiste em negar. Esse senso do divino (sensus divinitatis), como denominado por alguns teólogos protestantes, é um vazio, um sentimento de falta, um espaço "do tamanho de Cristo".

"Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada." (Jo. 14.23).

Assim como o viver solitariamente pode produzir em qualquer um sentimentos como tristeza, medo, solidão, existem consequências para uma vida onde não há essa relação com Deus. Há quem diga: "mas, eu sou feliz mesmo não crendo em Jesus Cristo ou Deus", "Eu sou feliz assim, não preciso de Deus". Penso que uma felicidade baseada no prazer, pode facilmente fracassar caso não hajam mais motivos que alimentem este prazer.

A companhia de Deus, proporciona um sentimento de coragem, de esperança e de confiança eternos e tais sentimentos são eternos porque estão atrelados à realidade de Deus, um ser Eterno. Mas como viver gozar dessa companhia se tratamos de realidades tão diferentes uma da outra? Somos naturais, estamos no tempo; Deus é espírito, está fora do tempo. O meio de experimentarmos essa companhia é a oração (Mt. 16.19; Tg. 5.13); a oração é o elo de relacionamento entre o homem e Deus, é o contato entre temporal e atemporal.

É por intermédio da oração que somos confirmados desta companhia, desta realidade de que o Senhor está conosco e sendo uma realidade, não pode ser negada; há uma promessa autêntica de companhia que nos foi feita por Jesus Cristo: "E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século" (Mt. 28.20). Jesus Cristo é Deus! Estas são palavras de Deus! Deus está nos garantindo que Sua companhia não é temporária, mas uma companhia autêntica pela oração, confirmada pela experiência.

Tememos, mas não há porque temer, choramos, mas não há porque chorar, nos preocupamos, mas não há por que nos preocupar. O medo assombra aqueles que sem oração caminham sozinhos. A coragem é a força daqueles que orando são acompanhados pelo Senhor Jesus. A companhia de Jesus é o que precisamos para prosseguirmos firmes no caminho, e a oração é a ferramenta que temos para mantermos esta relação de companhia e cuidado.

Quando nos sentirmos sozinhos, oremos e falemos com aquele que nos acompanha, pois, Ele é fiel e disse: "estou convosco todos os dias até à consumação do século". Chega de permanecer sozinho dando cordas ao sofrimento, sempre é momento de dobrar os joelhos, fechar os olhos e gozar a companhia de Deus.

Leonardo Felicissimo

terça-feira, 1 de março de 2011

Jesus, Buda e a Felicidade

Muito perturbado pelo sofrimento que viu pelo mundo, o príncipe de 29 anos Siddhartha Gautama (563 – 483 a.C.), mais tarde conhecido como Buda (“o iluminado”), deixou sua esposa e seus filhos para e partiu em uma busca pelo sentido da vida. O que ele enxergou foi que o mundo é passageiro – nada era permanente. Apesar disso, as pessoas desejavam essas coisas passageiras. Elas desejam a vida, saúde, posses e uns aos outros. Mas a vida, a saúde, as posses e as pessoas passam.

Os desejos humanos sempre iriam levar ao desapontamento. Isso, pensou, era a causa do sofrimento humano. Logo, ele concluiu que se pudesse matar o desejo, então poderia se manter ileso da influência do bem ou do mal, seu sofrimento acabaria e ele seria feliz. Ele estaria livre da dor e do ciclo sem fim da reincarnação. Isso era o Nirvana.

É irônico, então, que o motivo por trás da rigorosa busca de Buda para matar seus desejos estava um grande desejo humano: felicidade duradoura.

Sempre houve um grande e vazio buraco na busca de Buda pela felicidade duradoura: não há Deus. Buda não falou muito sobre a existência de Deus porque para ele, sinceramente, Deus era irrelevante na questão da felicidade do homem. Pelo contrário, a felicidade estava em se livrar do sofrimento causado pelos desejos e da reincarnação. A felicidade era o suave encerramento da existência individual – uma espécie de doce aniquilação.

Quão diferente das respostas de Buda são as respostas de Jesus. Quando um jovem rico e perturbado, não muito diferente do rico e perturbado jovem Gautama, procurou direcionamento de Jesus para alcançar a felicidade eternal, Jesus repondeu:

“‘Falta-lhe uma coisa’, disse ele. ‘Vá, venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me.’” (Marcos 10.21)

Note que Jesus de fato instruiu o homem a se desapegar de suas posses. Mas ele não falava de um desapego Budista. Ele falou de outra forma aqui:

“O Reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo.” (Mateus 13.44)

A mensagem é muito clara: deseje o tesouro! Deseje-o o suficiente para contar tudo o mais como perda para poder conquistá-lo (Filipenses 3.8). A diferença é que Buda quer ter menos desejo e ser completamente absorvido pelo cosmo impessoal. Jesus quer que desejemos profundamente e sejamos completamente arrebatados pela Pessoa em quem nós vivemos, movemos e existimos (Atos 17.28). É por isso que, na batalha contra os desejos pecaminosos, Jesus ensina muito mais que Buda. Ele sabe que nosso desejo por felicidade foi criado por Deus, assim como nosso desejo de viver. Eles não são ruins. Eis o que é ruim:

“‘Espantem-se diante disso, ó céus! Fiquem horrorizados e abismado’, diz o Senhor. ‘O meu povo cometeu dois crimes: eles me abandonaram, a mim, a fonte de água viva; e cavaram as suas próprias cisternas, cisternas rachadas que não retêm água.’” (Jeremias 2.12,13)

Fomos criados para sermos satisfeitos pelo único e eterno Deus. O mal é quando acreditamos que Deus não nos satisfaz e assim devemos buscar a felicidade em outra coisa. Isso é a essência do pecado. E o caminho para combater o pecado não é matar o desejo, mas abandonar nossos desejos fúteis por cisternas rachadas. Não há água nelas. Busque a Fonte! Jesus e Buda concordam que buscar a felicidade nas coisas passageiras é inútil. Mas eles nos levam a soluções opostas. Buda diz que a satisfação está em não desejar mais nada. Jesus diz que é desejar Deus. Em Deus nós conseguimos todas as coisas. Em nada, nós conseguimos… nada.

Autor: Jon Bloom

Tradução: Filipe Schulz | iPródigo

Artigo Original: http://www.iprodigo.com/traducoes/jesus-buda-e-a-felicidade.html

 

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Por que não a vida? - Parte 2

Data: 23/06/2010
Autor: Leonardo Felicissimo

Andar com Deus é renunciar o comportamento depravado humano, é reconhecer que se precisa de vida e que esta vida jorra do trono do Altíssimo. Viver segundo seus próprios caminhos e segundo sua própria consciência, é viver esperando a morte.

Para Enoque, o cumprimento da justiça que produz a vida estava em voltar-se totalmente para Deus, para nós o cumprimento da justiça está em Cristo que se entregou no calvário permitindo a qualquer homem obter a vida eterna e o triunfo nEle contra a morte eterna.

Precisamos gozar desta vida que recebemos em Cristo, andar com Ele, nos relacionarmos através de sua palavra, através da oração. A morte não pode abalar os que estão em Cristo, ela é apenas um estado temporário que antecede a esperança da ressurreição. Escolhemos Cristo porque queremos continuar a gozar do presente que nos foi dado, a Vida.

Cristo é a resposta, a resposta para aqueles que procuram vida.

Cristo é a resposta para aqueles que entendem o valor da vida; somos gente! Gente que Deus criou pra viver a vida. Gente feita com um propósito, com um motivo. Todavia, se alguém não esta em Cristo está na situação do homem caído, morto, sem Deus e sem esperança (Ef. 2.12). Precisamos de vida, precisamos de Cristo. A esperança da vida é ser justo diante de Deus e este é o principal papel da fé em Cristo (Rm. 5.1). Não, a fé não é um meio para decretar bênçãos ou determinar a prosperidade. A fé é o instrumento através do qual somos justificados diante de Deus pela confiança na eficácia do sacrifício de Cristo no calvário. Fé não é pensamento positivo, é confiança!

Esta foi a experiência de Enoque, essa é a nossa experiência. Ter esperança de vida; essa é a proposta de Cristo. No meio de uma humanidade morta-viva - sim, porque ainda que estejam vivos em aparência seu estado real é de morte, seu futuro é morte e seu fim será eternamente a morte - alguns encontram a esperança para a vida. São enoques que encontraram em Cristo a resposta para um futuro, para uma eternidade de Vida.

Por que falar de Cristo? Porque ele e não outro oferece vida e vida em abundância (Jo. 10.10b). Todo tem uma opção a escolher, então, se havemos de escolher algo, POR QUE NÃO A VIDA? E se escolhemos a vida, devemos saber que a única resposta para nossa escolha é e sempre será Cristo (Jo 17.3).

Por que não a vida? - Parte 1

Data: 23/06/2010
Autor: Leonardo Felicissimo

"Todos os dias que Adão viveu foram novecentos e trinta anos; e morreu." (Gn. 5.5)

De todos os sentimentos que possam afrontar o ser humano, o pior deles é a fragilidade quanto à morte. Podemos dizer que a morte é primária de uma série de sentimentos. A morte produz tristeza, dor, humilhação, solidão. Possui poder para expor ao ser humano sua fragilidade, sua pequenez. Retira do ser humano o sentimento de auto-suficiência, de absolutismo. Não estou querendo abordar nenhum tipo de filosofia estóica. Não compartilho a idéia de que a morte seja uma solução para um ser aprisionado, todavia, acredito que o fato de ter o conhecimento ao seu respeito seja de grande valia para que o homem tenha percepção de sua natureza.

O que aprendemos em Gn. 5?

Naturalmente estamos acostumados enxergar apenas o relato da genealogia quando na realidade um detalhe passa despercebido de nossa visão, a Bíblia diz: morreu... Pode-se inferir que o autor propositalmente decidiu relatar que após muitos anos de vida, dada personagem listado enfrentou a morte. Considerando que:
  • A = nome do personagem bíblico
  • B = tempo de vida
O padrão que encontramos nos textos é: "E foram todos os dias que A viveu, B, e morreu", este acontecimento ocorre com vários personagens. Qual seria a importância de relatar a longevidade do homem nesta passagem? Unicamente para demonstrar que homem (outrora não conhecedor da morte), deveria então experimentá-la ainda que tivesse qualquer esperança de manter-se em vida.

Por mais extensa que fosse a vida natural do homem ele haveria de enfrentar a conseqüência de seu ato pecaminoso. Este ensinamento é proferido pelo Apostolo Paulo ao dizer que "o salário do pecado é a morte" (Rm. 6.23). A morte é a triste recompensa do homem por sua rebeldia e desobediência a Deus. Quantos são aqueles que ainda que digam não se importar com a morte reconhecem o triste pesar que ela traz! Ninguém gosta de falar sobre a morte, de estar próximo a ela e ninguém deseja encontrá-la.

Por quê? Simplesmente porque nos importamos com a vida! Queremos longevidade, ver nossos descendentes, filhos, netos, cumprir planos, realizar sonhos, aproveitar a vida, gozar a companhia do cônjuge. A vida proporciona oportunidades, a morte declara o ponto final. Ainda que a vida material não seja tão boa, pode-se a cada dia renovar-se a esperança.

A esperança é evidente no texto de Gênesis 5. Após sete relatos de morte, um relato altera o padrão da história. A história de Enoque produz esperança e demonstra que mesmo em tempos tão antigos algo já estava estabelecido. A vida é garantida quando se cumpre a justiça de Deus. Adão e Eva com sua atitude demonstraram independência de Deus, a história de Enoque parece apresentar que este homem possuía um testemunho completamente oposto aos de seus familiares e contemporâneos.

Diz a Bíblia "Andou Enoque com Deus". C. H. Mackintosh diz que o andar com Deus nos tempos de Enoque haveria de significar renuncia. Numa sociedade que se degradava sempre mais, andar com Deus significaria abrir mão de andar com os outros. Era voltar-se exclusivamente para Deus e gozar de dependência e comunhão com Ele[1].

Ah! Como nos precisamos aprender sobre isto. O escape para a morte não esta em evoluir como espírito através de uma troca de corpos, não está em virar adubo de terra como se de nada valesse a vida atual. O escape para a morte está em andar com Deus.

Notas Bibliográficas
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[1] MACKINTOSH, C. H., Estudos sobre o livro de Gênesis. 3ª Edição, Diadema: Associação Religiosa Imprensa da Fé, 2001.