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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Onde está Deus? - Meus questionamentos e suas respostas

"Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, Até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá." (Sl. 139.8-10)

Não há lugar tão alto em que Ele não possa estar e abismo tão profundo que suas mãos não possam alcançar. Deus cuida dos que O amam. Perdoa os que se arrependem, está perto dos que O invocam.

Pertunto em meu coração: Por que há tanto sofrimento? Por que há tanta desilução? Por que há tantas mortes? Onde está Deus nisso?

Suas palavras me confortam: "E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração" (Jr. 29.13).

Pergunto novamente: Será que se todos O buscássemos há muito já não teria nos salvado?

Suas palavras me respondem: "E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra." (2 Cr. 7.14)

Todavia, temos em nosso tempo um realidade irrefutável, nem todos O querem buscar, nem todos acreditam que Possa ouvir. Uns anunciam sua morte, outros proclamam sua inexistência. Os chamados pelo seu nome, já não anunciam Sua Verdade, trocaram as coisas do alto, pelas coisas terrenas, trocaram as bençãos espirituais pelas financeiras.

Enquanto isso, como ato de nossa própria liberdade humana, muitos mantém-se afastamos dAquele nos propõe, Amor, Justiça e Paz.

Onde Ele está? Continua no mesmo lugar, está onde sempre esteve. Aguardando a restauração da aliança entre Deus e o Homem, restauração que propõe por intermédio de Jesus Cristo. Ele indicou o Caminho, ensinou sua Verdade e nos ofereceu a Vida.

Suas palavras me confirmam: "Disse-lhe Jesus: Eu sou o Caminho, e a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." (Jo. 14.16)

Onde Ele está? Continua no mesmo lugar, está onde sempre esteve, afinal...

Não há lugar tão alto em que Ele não possa estar e abismo tão profundo que suas mãos não possam alcançar. Deus cuida dos que O amam. Perdoa os que se arrependem, está perto dos que O invocam.

Leonardo Felicissimo

terça-feira, 10 de maio de 2011

A Economia do Reino

EconomiaNinguém quer ser pobre, mas há de empobrecer para fazer-se participante das riquezas do reino de Deus. Nosso tempo grita em alto e bom som: Seja rico! Os amigos, as propagandas, os jornais, as igrejas nos dizem em corô: Seja rico! Busque ter tudo o que lhe pode fazer feliz, consuma, deseje ter mais do que pode comprar.

Nosso tempo é marcado pela capacidade particular de passear entre as classes sem necessariamente ter nascido em qualquer uma delas. Explico. Durante certo tempo das história, só era nobre quem nascia entre a nobreza. Com o passar do tempo, era nobre quem adquiria terras. Hoje, é nobre quem está no topo da escala de consumo!

Todos compomos uma nova classe, somos os chamados consumidores, queremos mais, desejamos as novidades. O mercado competitivo apresenta bimestralmente novos itens para consumo, e nós não podemos nos conformar com o mesmo, queremos mais, sempre mais.

É no querer mais que iniciamos nossa tentativa de construir uma ponte entre o que Jesus diz e o que nosso mercado diz. Na economia humana queremos subir mais, alcançar mais, ser mais, enriquecer mais do produto do mercado. Da tecnologia que nos é apresentada, das posses, dos carros, do que nos dá status, poder, prestígio.

Na economia de Deus queremos subir mais, alcançar mais, ser mais, enriquecer mais do que alimenta nosso espírito. Não queremos satisfazer o desejo de status do corpo, mas satisfazer uma necessidade do espírito. Digo status do corpo porque o que busco satisfazer me parece mais um insignificante momento de prazer. O prazer de ter sem precisar. Digo necessidade do espírito porque satisfaço uma necessidade do ser, que encontra somente Deus o que lhe completa, o que é parte de si.

É como um quebra-cabeça de muitas peças espalhadas pelo chão. Uma a uma colocadas em seu lugar, encaixada a outras peças, vão se conectando e dando forma a um belo quadro final. Deixe faltar uma peça, e o quadro se tornará imperfeito, incompleto, sem graça.

Agora, lemos no evangelho de Mateus, Jesus apresentando-nos o quadro da verdadeira felicidade: Felizes são aqueles que percebem que precisam de uma última peça para tornar-se um quadro completo, perfeito. Vejo-o me chamando a perceber em mim mesmo a falta de uma peça essencial, de uma engrenagem que faz funcionar o relógio, de um pixel que completa a imagem (desculpe, não contive minha NERDice). Vou explicar. Pixel é o menor elemento num dispositivo de exibição, ao qual é possivel atribuir-se uma cor. É do conjunto de milhares de pixels que nasce uma imagem de TV ou Monitor de computador por exemplo. Ou seja, um ponto minúsculo que não pode faltar para a criação de uma imagem perfeita e nítida.

Em outras palavras, podemos ouvir Jesus dizendo que felizes são os que precisam dEle. Felizes são os que veem nEle a peça que completa sua existência. O reino de Deus pertence à esses. É em sua necessidade que encontram riqueza. É no empobrecer do espírito que se encontra as riquezas do reino de Deus.

Obviamente que para um entendimento mais apurado do texto, seria interessante uma trabalho mais apurado de interpretação da expressão grega: makárioi hói ptochòi tô pnéumati” (Abençoados os pobres [em, no, ao, para] o espírito). Contudo, tratando-se de uma reflexão, ficamos com a tradução mais utilizada por alguns exegetas como Matthew Henry, Calvino e Daniel Wallace que compreenderam as palavras de Mateus como “pobres em espírito” como uma alusão ao reconhecimento da necessidade de Deus. O que a maioria de comentaristas divergem entre si, é a respeito da motivação desse esvaziamento. Enquanto alguns como Henry defendem uma idéia de santificação (humildes em espírito), Calvino interpreta que tratam-se de pobres em espírito, aqueles que passam por adversidades e se submetem a Deus como meio de encontrarem abrigo e proteção. 

Nos textos dos comentaristas temos a mesma idéia: Pobres em espírito, pessoas que precisam de Deus. Daniel Wallace concorda ao interpretar o texto grego como espiritualmente pobres. Uma compreensão real de que a riqueza do reino de Deus é Cristo, que preenche a alma com Sua Graça e virtude. Vale citar as belas palavras de Matthew Henry: "Essa pobreza de espírito é uma disposição de alma graciosa, pela qual somos esvaziados de nós mesmos, a fim de sermos cheios de Jesus Cristo"

Ser pobre de espírito é reconhecer Jesus Cristo como peça essencial no tabuleiro de quebra-cabeças da vida. Não é tê-lo como uma muleta pra viver melhor, é tê-lo uma realidade sem a qual a vida não tem o menor sentido. E não pensemos que não há benefícios em adotar este padrão de vida. O lucro deste investimento é: "porque deles é o reino dos céus". Que belo paradoxo! Os que se fazem empobrecidos são contemplados com um reino, o reino de Deus. Parafraseando Mateus: "Felizes são os espiritualmente pobres, porque terão um reino para si. O reino dos céus". A economia do reino de Deus não segue o fluxo de nossa economia humana, não saímos de um estado de riqueza para um estado de riqueza maior. É necessário que todos desçam a um estado de pobreza, pobreza de espírito. Em outras palavras, é no estado de pobreza de espírito que somos reconhecidos como ricos. 

Essa palavra pobreza não soa muito bem para nossos ouvidos capitalistas. Parece um texto "miserável". Mas quando o inserimos no contexto de Cristo ser pobre em espírito soa muito bem. Soa como cidadãos do reino de Deus. Nossa necessidade de Cristo, de Suas palavras, de Sua vida nos faz alcançar um status e prestígio grandioso como dignos do reino dos céus. Se nosso riqueza se resume a uma felicidade temporária, passaremos toda a nossa vida buscando consumir mais e mais aqui na terra. Contudo, se nossa riqueza se resume a uma felicidade eterna então desejemos mais e mais de Cristo, como pobres em espírito, ansiando por aqui que ele nos promete, vida em abundância: "[...] eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância." (Jo. 10.10b).

Sem dúvida não há maior lucro do que esse. E Esta é a economia do reino: Tonar-se pobre em espírito para apropriar-se da riqueza do reino dos céus: Vida em abundância.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Ressurreição

Porque Ele ressuscitou, temos a esperança de que seremos ressuscitados recebendo assim a promessa da Vida Eterna! Sua ressurreição é a demonstração de que não pode ser vencido pela morte e que é capaz de conceder a todo o que nEle crê, vida eternal!

1. É a Razão do Evangelho

A morte será um instante de escuridão no caminho rumo a vida de luz eterna. Se Cristo não ressuscitou [...] é vã a nossa fé; Pregamos a ressureição não apenas porque nos espanta o grande poder de Cristo; pregamos a ressureição porque a ressureição é a glória do Evangelho. É nela que a ignomínia da cruz se torna o resplendor da glória de Cristo.

2. É o Sentido da Vida

O fato da ressurreição é o que traz sentido a vida. Uma vida de lutas e vitórias, choros e sorrisos, tristezas e alegrias que se resuma em si mesma não pode ter algum sentido! Que graça tem viver tudo o que se vive, se no fim não serviu para nada? A esperança da ressurreição traz sentido a vida, faz valer a pena cada fração de tempo passado e presente, o que se viveu e o que se vive.

"Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens." (I Co. 15.19)

A ressurreição é a esperança que brota no presente de um futuro de felicidade diante de Deus. Ela é força para o sofrimento do hoje. Se não houve ressurreição, então o viver hoje não passa de uma história que será escrita sem qualquer sentido. Se Cristo ressuscitou, então vale a pena viver cada trecho da vida presente, com a esperança de que "o melhor de Deus ainda está por vir".

3. É a Vitória do Salvo

"Nossa velha história se finaliza com a cruz; nossa nova história se inicia com a ressurreição" (Watchman Nee)

A cruz foi o elemento necessário para o cumprimento da obra de Cristo, a ressurreição é a consumação deste elemento. É somente por intermédio da ressurreição que temos a expressão da aceitabilidade do sacrifício de Cristo por parte do Pai.

A ressurreição assegura nossa regeneração, pois trata-se da inauguração de uma nova vida. Na cruz, morreu o Cristo que tomou sobre si os pecados da humanidade, na ressurreição ergueu-se o Cristo que trouxe consigo a garantia de uma vida sem pecado diante de Deus, uma vida que progressivamente se estende para distante das paixões carnais até que encontre o mesmo estado de Cristo (perfeita varonilidade).

Paulo diz: “nos deu vida juntamente com Cristo”. A ressurreição é a garantia do poder da cruz de fornecer ao homem a redenção pela fé e uma nova natureza. É a segurança que temos de transformação em Cristo. É a vitória do Salvo!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Por que não a vida? - Parte 2

Data: 23/06/2010
Autor: Leonardo Felicissimo

Andar com Deus é renunciar o comportamento depravado humano, é reconhecer que se precisa de vida e que esta vida jorra do trono do Altíssimo. Viver segundo seus próprios caminhos e segundo sua própria consciência, é viver esperando a morte.

Para Enoque, o cumprimento da justiça que produz a vida estava em voltar-se totalmente para Deus, para nós o cumprimento da justiça está em Cristo que se entregou no calvário permitindo a qualquer homem obter a vida eterna e o triunfo nEle contra a morte eterna.

Precisamos gozar desta vida que recebemos em Cristo, andar com Ele, nos relacionarmos através de sua palavra, através da oração. A morte não pode abalar os que estão em Cristo, ela é apenas um estado temporário que antecede a esperança da ressurreição. Escolhemos Cristo porque queremos continuar a gozar do presente que nos foi dado, a Vida.

Cristo é a resposta, a resposta para aqueles que procuram vida.

Cristo é a resposta para aqueles que entendem o valor da vida; somos gente! Gente que Deus criou pra viver a vida. Gente feita com um propósito, com um motivo. Todavia, se alguém não esta em Cristo está na situação do homem caído, morto, sem Deus e sem esperança (Ef. 2.12). Precisamos de vida, precisamos de Cristo. A esperança da vida é ser justo diante de Deus e este é o principal papel da fé em Cristo (Rm. 5.1). Não, a fé não é um meio para decretar bênçãos ou determinar a prosperidade. A fé é o instrumento através do qual somos justificados diante de Deus pela confiança na eficácia do sacrifício de Cristo no calvário. Fé não é pensamento positivo, é confiança!

Esta foi a experiência de Enoque, essa é a nossa experiência. Ter esperança de vida; essa é a proposta de Cristo. No meio de uma humanidade morta-viva - sim, porque ainda que estejam vivos em aparência seu estado real é de morte, seu futuro é morte e seu fim será eternamente a morte - alguns encontram a esperança para a vida. São enoques que encontraram em Cristo a resposta para um futuro, para uma eternidade de Vida.

Por que falar de Cristo? Porque ele e não outro oferece vida e vida em abundância (Jo. 10.10b). Todo tem uma opção a escolher, então, se havemos de escolher algo, POR QUE NÃO A VIDA? E se escolhemos a vida, devemos saber que a única resposta para nossa escolha é e sempre será Cristo (Jo 17.3).

Por que não a vida? - Parte 1

Data: 23/06/2010
Autor: Leonardo Felicissimo

"Todos os dias que Adão viveu foram novecentos e trinta anos; e morreu." (Gn. 5.5)

De todos os sentimentos que possam afrontar o ser humano, o pior deles é a fragilidade quanto à morte. Podemos dizer que a morte é primária de uma série de sentimentos. A morte produz tristeza, dor, humilhação, solidão. Possui poder para expor ao ser humano sua fragilidade, sua pequenez. Retira do ser humano o sentimento de auto-suficiência, de absolutismo. Não estou querendo abordar nenhum tipo de filosofia estóica. Não compartilho a idéia de que a morte seja uma solução para um ser aprisionado, todavia, acredito que o fato de ter o conhecimento ao seu respeito seja de grande valia para que o homem tenha percepção de sua natureza.

O que aprendemos em Gn. 5?

Naturalmente estamos acostumados enxergar apenas o relato da genealogia quando na realidade um detalhe passa despercebido de nossa visão, a Bíblia diz: morreu... Pode-se inferir que o autor propositalmente decidiu relatar que após muitos anos de vida, dada personagem listado enfrentou a morte. Considerando que:
  • A = nome do personagem bíblico
  • B = tempo de vida
O padrão que encontramos nos textos é: "E foram todos os dias que A viveu, B, e morreu", este acontecimento ocorre com vários personagens. Qual seria a importância de relatar a longevidade do homem nesta passagem? Unicamente para demonstrar que homem (outrora não conhecedor da morte), deveria então experimentá-la ainda que tivesse qualquer esperança de manter-se em vida.

Por mais extensa que fosse a vida natural do homem ele haveria de enfrentar a conseqüência de seu ato pecaminoso. Este ensinamento é proferido pelo Apostolo Paulo ao dizer que "o salário do pecado é a morte" (Rm. 6.23). A morte é a triste recompensa do homem por sua rebeldia e desobediência a Deus. Quantos são aqueles que ainda que digam não se importar com a morte reconhecem o triste pesar que ela traz! Ninguém gosta de falar sobre a morte, de estar próximo a ela e ninguém deseja encontrá-la.

Por quê? Simplesmente porque nos importamos com a vida! Queremos longevidade, ver nossos descendentes, filhos, netos, cumprir planos, realizar sonhos, aproveitar a vida, gozar a companhia do cônjuge. A vida proporciona oportunidades, a morte declara o ponto final. Ainda que a vida material não seja tão boa, pode-se a cada dia renovar-se a esperança.

A esperança é evidente no texto de Gênesis 5. Após sete relatos de morte, um relato altera o padrão da história. A história de Enoque produz esperança e demonstra que mesmo em tempos tão antigos algo já estava estabelecido. A vida é garantida quando se cumpre a justiça de Deus. Adão e Eva com sua atitude demonstraram independência de Deus, a história de Enoque parece apresentar que este homem possuía um testemunho completamente oposto aos de seus familiares e contemporâneos.

Diz a Bíblia "Andou Enoque com Deus". C. H. Mackintosh diz que o andar com Deus nos tempos de Enoque haveria de significar renuncia. Numa sociedade que se degradava sempre mais, andar com Deus significaria abrir mão de andar com os outros. Era voltar-se exclusivamente para Deus e gozar de dependência e comunhão com Ele[1].

Ah! Como nos precisamos aprender sobre isto. O escape para a morte não esta em evoluir como espírito através de uma troca de corpos, não está em virar adubo de terra como se de nada valesse a vida atual. O escape para a morte está em andar com Deus.

Notas Bibliográficas
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[1] MACKINTOSH, C. H., Estudos sobre o livro de Gênesis. 3ª Edição, Diadema: Associação Religiosa Imprensa da Fé, 2001.